Imagem ilustrativa da dor lateral da anca

Dor lateral da anca – Síndrome doloroso do grande trocanter

 

O Síndrome doloroso do grande trocanter (SDGT) pode ser causado por diferentes patologias nomeadamente fasceíte trocantérica, bursite trocantérica, ressalto externo da anca ou tendinopatia dos abdutores (este último a principal causa). 

 

Imagem ilustrativa da anatomia da região da anca.
Figura 1 – Anatomia da região da anca

 

Devem ser excluídos diagnósticos diferenciais que, por vezes, podem ter manifestações semelhantes (dor irradiada da coluna lombar e sacro-ilíacas; dor de origem extra-articular da anca, como síndrome piramidal, conflito isquiofemoral, tendinopatia isquiática; dor de origem articular da anca).

A tendinopatia do tendão glúteo médio ou mínimo é a tendinopatia mais frequente do membro inferior e reconhecida como a principal causa de sintomas em pacientes com SDGT. Mais frequentemente afeta mulheres na quarta a sexta décadas de vida. A sua causa pode ser traumática ou consequência de um fenómeno crónico de degeneração ou desgaste do tendão, muitas vezes com fenómenos associados de calcificação causada pela sobrecarga mecânica dos músculos médio e pequeno glúteo. 


Sintomas

O Síndrome Doloroso do Grande Trocanter (SDGT) caracteriza-se por dor na região lateral da anca que se pode acompanhar de irradiação para a região glútea ou lateral até ao joelho. A maioria dos doentes refere dor com movimentos como sentar e levantar, entrar e sair do carro ou a subir e a descer escadas. É frequente também dor com o decúbito sobre o lado afetado podendo assim contribuir para a degradação da qualidade do sono.


Diagnóstico

O diagnóstico é feito após a colheita da história clinica, realização de exame físico e auxiliado com recurso a exames complementares de diagnóstico, nomeadamente a Ecografia e/ou a Ressonância Magnética. Este último, de eleição para caracterização de roturas assim como, a presença ou não, de atrofia muscular. 

Imagem ilustrativa da RMN da anca
Figura 2 – RMN da anca: A – Bursite, B – Rutura gluteo médio.

 

Tratamento

O tratamento de primeira linha é o conservador, não cirúrgico, com recurso a programas de reabilitação da musculatura e estruturas peri articulares da anca e, eventualmente, a injeção de plasma rico em plaquetas (PRPs) com o intuito de estimular a reparação do tendão degenerado.

Imagem ilustrativa dos exercícios que podem ser realizados para o alongamento da banda ilio-tibial e reforço dos abdutores
Figura 3 – Exercícios que podem ser realizados para o alongamento da banda ilio-tibial e reforço dos abdutores.

 

A utilização de medicação anti inflamatória e analgésica pode ser utilizada temporariamente de forma a minimizar os sintomas. Nos casos em que é conseguida a resolução de sintomas com tratamento conservador recomenda-se a manutenção de exercícios de reforço muscular de forma a evitar a recorrência.

Nos casos em que o tratamento conservador não funciona, e na presença de roturas, poderá estar indicada a sua reparação cirúrgica. 

Imagem ilustrativa da rutura do gluteo médio e reparação em dupla fileira com âncoras
Figura 4 – Rutura do gluteo médio (esq.). Reparação em dupla fileira com âncoras (dta.).

 

Dr. Miguel Lopes
OM 54506