Dr. Tiago Frada a realizar artroscopia.

Tratamento da rotura meniscal: a importância da mudança de paradigma

 

Os meniscos são estruturas localizadas no interior da articulação do joelho. Com uma forma de “C”, fazem a ponte entre o fémur e a tíbia e desempenham funções de grande importância para a proteção do joelho:

     – aumentam a congruência e estabilidade articular;
     – amortecem a carga transmitida ao longo do membro, suavizando os efeitos desses impactos na lesão da cartilagem;
     – atuam como sensores para o sistema nervoso central informando acerca da posição da articulação.

Tratamento da rotura meniscal - exemplo meniscos
     Fig. 1 – Meniscos medial e lateral sem alterações

Devido à sua localização, função e ao tipo de stress a que são sujeitos, são uma das estruturas mais frequentemente lesadas no joelho. Embora os praticantes de atividades desportivas de contacto representem um grupo de maior risco de lesão, esta pode ocorrer em qualquer pessoa, independentemente da idade ou atividade, tendo como mecanismo de lesão mais comum os movimentos de rotação, mudança de direção, receção ao solo ou agachamento.

Os sintomas surgem habitualmente no momento da lesão e caracterizam-se, entre outos, por dor, aumento do volume e limitação da mobilidade articular que pode até ser total (bloqueio articular).

A avaliação clínica e o estudo por ressonância magnética são fundamentais para o diagnóstico e tomada de decisão, que poderá ser cirúrgica ou conservadora (não cirúrgica). O tratamento não cirúrgico está reservado para doentes sem queixas e/ou com pouca demanda física.

Sabemos hoje que a perda do menisco e das suas funções deve ser encarada como uma condição “pré-artrose” devido à privação do efeito de proteção do menisco. Da análise de casos tratados “agressivamente” há vários anos verifica-se uma progressão acelerada para artrose grave. Sabemos igualmente que negligenciar uma lesão meniscal sintomática irá resultar num agravamento da rotura existente e num desgaste mais precoce da cartilagem – artrose.

A opção ideal seria então tratar a lesão meniscal sem comprometer o futuro do joelho.

Rotura em asa de cesto do menisco
    Fig. 2 – Rotura em asa de cesto do menisco

É pois neste contexto que surgem técnicas cirúrgicas que visam preservar o menisco e a sua função, que infelizmente não são aplicáveis de forma transversal, uma vez que nem todas as lesões são passíveis de reparação.

As técnicas de reparação meniscal consistem na sutura, reinserção e/ou transplante meniscal. A técnica cirúrgica deverá ser adaptada às particularidades do binómio paciente-rotura meniscal, considerando sempre vários fatores, como o potencial biológico do paciente (mais do que a idade em si), o tipo e a zona de rotura meniscal.


     Vídeo – Reinserção da raíz posterior do menisco medial

Imagem da sutura meniscal all inside do corno posterior do menisco
     Fig. 3 – Sutura meniscal all inside do corno posterior do menisco

Tratam-se de procedimentos muito rigorosos do ponto de vista técnico, realizados por via artroscópica, exigindo um cirurgião que reconheça a importância do menisco, diferenciado tecnicamente e com experiência em preservação meniscal.

É por isso fundamental, para maximizar o sucesso do tratamento, dominar as várias técnicas de reparação meniscal e ter ao dispor as tecnologias mais modernas, tanto em dispositivos médicos como em meios de estimulação biológica juntamente com um processo de reabilitação física adequado.

O objetivo final será sempre garantir o sucesso no imediato, assegurando uma proteção articular para o futuro.


Dr. Tiago Frada

OM – 46913