
Conflito femoro acetabular (CFA)
O que é CFA? Conflito femoroacetabular (CFA), ocorre quando a cabeça do fémur embate no rebordo acetabular. Este conflito mecânico pode ocorrer por deformidade femoral, acetabular ou mista (femoral e acetabular). Do conflito mecânico podem resultar danos no labrum e cartilagem, podendo resultar atrose precoce (fig. 3). Esta patologia é mais frequentemente diagnosticada em adultos jovens e ativos.
Pode ser idiopático (sem causa conhecida); associado a prática desportiva intensa em idades de crescimento ou secundária a patologia pediátrica da anca.

Tipos de CFA


Sinais e Sintomas de CFA
A maioria dos pacientes com CFA sente dor profunda ou rigidez na anca. Geralmente ocorre ou piora com movimentos de flexão e rotação da anca, como ao andar de bicicleta, amarrar os atacadores ou ficar sentado por longos períodos de tempo.
Diagnóstico de síndrome de CFA
- História clínica
- Exame físico cuidado com realização de manobras específicas

- Radiografia para avaliar a morfologia óssea

- Ressonância magnética para avaliar lesões do labrum e cartilagem
Tratamento
Conservador:
– Mudança de hábitos com limitação de atividades/posições que causam sintomas
– Anti inflamatórios e analgesia
– Fisioterapia: programa dedicado focado no controlo de dor, reforço muscular e treino proprioceptivo
Cirúrgico:
– Casos refratários a tratamento conservador
– Lesões secundárias a conflito femoro acetabular como lesões do labrum/ lesão osteocondral, em pacientes selecionados (anca sem atrose, doente jovem e ativo)
Opções:
Luxação segura da anca:
- Técnica inicialmente utilizada no tratamento desta patologia, pouco utilizada atualmente pelos riscos e agressividade do procedimento (atualmente a grande maioria dos casos podem ser tratados por técnicas menos invasivas).

Abordagem mini-open com complemento artroscópico:
- Incisão de 4-6cm que permite a correcção aberta da deformidade e reparação de lesões associadas. Complementada com visualização artroscópica
- Mais indicada em casos com deformidades como pincer global, deformidades grosseiras e/ou secundárias a patologia pediátrica da anca (episiólise)
- Permite visualização global da deformidade e a sua correcção
Artroscopia:
- Permite o tratamento da maioria dos casos
- Possibilita o tratamento de lesões do labrum, cartilagem e correcção de deformidade óssea
- Técnica mini invasiva com incisões de 1cm
- Recuperação pós operatória precoce mais rápida

Pós-operatório:
- Marcha com muletas 2 a 3 semanas
- Gelo local; anti-inflamatório, enoxaparina e analgésico
- Cuidados de penso e remoção de material de sutura de acordo com indicação médica
- Evitar flexão >70º e rotações >20º nas primeiras 3 a 4 semanas
- Protocolo de reabilitação com fisioterapia a iniciar após remoção de material de sutura
- Retorno a atividades desportivas após 3 meses
Dr. Miguel Lopes
OM 54506


